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Minha opinião sobre as praxes académicas

por Patrícia Sofia Ferreira, em 02.10.12
Imagem retirada daqui

Mesmo antes de começar as praxes na universidade eu andava toda entusiasmada com elas. Mas no primeiro dia de praxes acabei por não conseguir ir devido às matrículas (estive umas 8h à espera da minha vez). No dia seguinte não sabia para onde tinha de me dirigir, por isso falei com umas colegas que andam no mesmo curso que eu. Quando elas me dizem que aquilo é horrível e que só serve para humilhar eu fiquei aterrorizada. Eu a pensar que era só pintar a cara, as unhas, sujar o cabelo... pronto, as coisas básicas e que eu não me importava que me fosse feito. Mas daí até fingir orgasmos à frente de multidões vai um bom bocado.

Tirei a ideia de ir às praxes da minha cabeça e ainda fiquei com menos disposição para ir quando tive um desentendimento com duas superiores. Foi mais ou menos assim:

1ª grão-mestre: És de ciências da comunicação?

Eu: Sim.

1ª: E tens ido às praxes?

Eu: Não.

1ª: E queres ser praxada?

Eu: (...) Não sei. Mas se é para humilhar não.

1ª: Nós não humilhamos, apenas integramos.

Eu: Mas não é o que eu tenho ouvido dizer...

(chega a 2ª e a 1ª conta a minha situação)

2ª: (voz de quem é a maior) Ouve lá, mas as praxes também servem para humilhar ou pensas o quê?

Eu: o.O

1ª: Sabes que se não fores às praxes não vais poder trajar...

Eu: Ai posso, posso.

1ª: Sim, podes... mas não vais poder usar estrela nem pin.

Eu: E o que isso me interessa?

1ª: Não vais poder praxar.

Eu: E para é que eu preciso disso?!

2ª: Pronto... tu lá sabes. Também não queremos lá pessoas de má vontade. Só vens se quiseres.

 

Esta conversa deixou-me mesmo zangada. Acabaram por se contradizer uma à outra e tentaram fazer passar-me por burra.

Até posso mudar de ideias ou arrepender-me de não ter ido às praxes, pois acredito que se façam muitas amizades por lá e que os superiores ajudem os caloiros, ao nível das cadeiras, entre outras coisas, mas esta conversa irá ficar sempre na minha memória.

E acreditem que a esmagadora maioria dos caloiros vão às praxes porque querem trajar no futuro... o que é uma valente treta. Traja-se independentemente de se ir às praxes ou não!

Não sou anti-praxe, mas sou anti-abusos. As praxes servem para integrar os novos estudantes, não para os humilhar!

Não quero com este post ofender ninguém nem impedir a ida às praxes aos caloiros. É só a minha opinião. Cada um tem a sua experiência e cada um a interpreta de maneiras diferentes.

 

Qual é a vossa opinião sobre este assunto?

publicado às 00:00


21 comentários

De Liza a 02.10.2012 às 01:50

Olá Patrícia :)
As praxes da minha faculdade correram optimamente e sempre que as relembro é com muita saudade e alegria ao mesmo tempo, porque foram 5 dias super bem passados e tenho sempre vontade de reviver essa semana. Eles não foram nada brutos e nunca me humilharam, felizmente!
Em relação ao teu post, eu percebo porque estás aterrorizada, por causa do que já contaste. Também não iria querer participar nesse tipo de coisas, obviamente. Há limites para tudo!
Espero que tenhas um óptimo ano lectivo, e deixa lá que não é por não participares nas praxes que vais deixar de conhecer pessoas!
Beijinhos*

De Liza a 02.10.2012 às 12:07

De nada querida! :) Eu também acho gira a tendência mas não faz o meu estilo, no entanto é uma das tendências desta estação e achei por bem falar dela x)
Beijinhos*

De ana a 02.10.2012 às 14:02

na minha faculdade as praxes correram super bem, com os típicos ovos, farinha, batom e verniz para as unhas. eu arranjei um padrinho super simpático que já me emprestou alguns livros e apontementos, para além de outros veteranos e de muitas amizades que fiz. lá eles não humilham ninguém, e se alguém se sentir mal eles encaminham a pessoa para descansar. também há jogos com muito alcool e algumas coisas mais ousadas, mas parte de nós deixarmos ou não que nos levem para essas coisas. como eu não bebo muito, quando achava que já estava a abusar parava e eles respeitavam. no fim de tudo houve um tribunal de praxes, onde os caloiros e os mais velhos que desrespeitaram outras pessoas ou os trajes são advertidas para que tal não volte a acntecer. no fim do ano quero trajar, não para poder praxar os outros mas para poder usar o traje da forma que deve ser usado (o traje simboliza que os estudantes são todos iguais, não havendo distinção entre pobres e ricos).

De beautyaddicts a 02.10.2012 às 20:19

Cada curso é um curso! E cada curso tem pessoas e pessoas, eu pessoalmente respeito e apoio a praxe académica (bem feita) digo isto porque no meu curso há muito boa gente que transformas as praxes em momentos de animaçao e convivio para todos, mas também há o contrário e esses abusos que referiste são comuns infelizmente! É verdade que podes trajar, mas as praxes tem como valores a humildade e o respeito por quem já passou pela nossa situação e tem mais "sabedoria" (se é que se pode usar este termo).
E digo já que concordo contigo: praxes como a que referiste acima são vergonhosas para qualquer tradição académica e mancham quem o fez! Para mim deveria ser revogado o direito de praxar a quem as estraga, não quem simplesmente se recusa a ser humilhado!


Beijinhos e boa sorte com tudo!

http :/ beautyaddicts.blogs.sapo.pt

De VidadeUmaGarota a 02.10.2012 às 21:11

omg :o fiquei chocada com o "fingir orgasmos" isso já é PURO ABUSO. é por isso que não vou querer ir à universidade mas daí até lá ainda faltam uns 5 aninhos :) vou responder às perguntas obrigada por me teres feito :)

De Maria a 02.10.2012 às 21:23

Eu quando fui para a Universidade já tinha noção que as praxes envolviam bem mais do que simplesmente nos sujarem dos pés à cabeça. Apesar de nunca ter pensado em ir às mesmas, até porque na altura em que entrei (2ª fase), convinha-me ir mesmo às aulas, visto que já tinha perdido duas semanas de aulas; mesmo que tivesse parado um pouco para pensar nisso, teria optado na mesma por não ir. Por um lado, as praxes na minha faculdade são ridiculamente estúpidas (mesmo); por outro lado, os caloiros são mais humilhados do que outra coisa. E este não devia ser o objectio das praxes. É certo que há excepções, em que as praxes são bem feitas e realmente os veteranos (e doutores) preocupam-se em integrar os caloiros.

Pois, só digo que a veterana nr. 2 é mesmo muito estúpida (só para não dizer algo pior). Muitos veteranos têm uma certa tendência para fazerem algumas figuras tristes. Esse discurso lembra-me um e-mail dos veteranos do meucurso que umas amigas minhas receberam no início do nosso primeiro ano: basicamente aquilo dizia que quem não tinha ido às praxes era idiota e que nem valia a pena (a estes) comprarem traje pois não o poderiam usar. Não só eles acham que têm o rei na barriga, como também pensam que têm o dom da palavra. É certo que aqui também há excepções, mas estas são raras.

A cena do traje dá-me muitos nervos pois toda a gente (à custa do pessoal das praxes) pensa que ele só se pode usar se tiveres ido às praxes. É que não tem nada a ver. Usar traje é um direito que se ganha a partir do momento em que nos tornamos alunos universitários. E, além do mais, vamos lá ser realistas: ninguém acredita que as centenas de finalistas trajados, nas queimas ou bençãos da fita, foram todos às praxes. É óbivo que a grande maioria não foi.

A novidade nesse discurso foi mesmo a estrela e o pin. A estrela não sei o que é. O pin penso que ela se referia aos pins que se usam no casaco do traje, ou lá onde é. Bem, em relação a isso, garanto-te que se pode usar. Conheço casos de pessoas que nunca foram às praxes e que usaram tudo o que normalmente se usa num traje académico. Isto cheira-me que é tudo conversa de veteranos que pensam que mandam nalguma coisa. Resumindo, sou como tu. Não sou anti-praxe, mas sim anti-ao conceito que elas têm cá.

[se alguém das praxes ler isto, peço desculpa se ofendi alguém; sei que casos são casos e até conheço uma das pessoas mais simpáticas de sempre que, por acaso, faz parte das praxes da minha faculdade]

Beijinhos!

De A a 03.10.2012 às 10:36

Olá Patrícia Eu também entrei este ano para a faculdade e fui às praxes durante os 15 dias. é verdade que o primeiro dia foi super cansativo e desafiador tanto a nível psicológico como a nível físico porque entrei numa escola que não faz as típicas praxes em que te sujam e pintam toda.
No segundo dia pensei seriamente se iria ou não, acabei por ir todos os dias e foi-se tornando mais calmo e menos exigente. Quanto à humilhação, aqui apenas ouvi coisas do género "vocês não valem nada, vocês são umas bestas" e coisas assim que se ultrapassam facilmente, na minha opinião.
Eu gostei destes 15 dias e só me ajudaram a criar novas relações com pessoal novo da faculdade e a ganhar ainda mais amor por este muy digníssimo insituto.
Como a imagem diz a praxe é dura, mas é praxe.
Espero que tenhas mais sorte com os teus doutores/veteranos daqui para a frente e boa sorte para o teu curso :)

De Lis a 03.10.2012 às 18:42

há de tudo em todo o lado...
fui praxada à 10 anos e ouvia-se falar em praxes descabidas. Nunca passei por uma má experiência. E enquanto estive na faculdade praxei mas nunca humilhei ninguém. Parte da consciência de cada um.

L*

De Maria Araújo a 03.10.2012 às 22:40

Olá.
No meu tempo, há 30 anos, as praxes eram mais leves.
Nunca "alinhei" em cortejos, nunca entrei em nada porque não gosto de me expor.
Ia às discotecas, e fui a um baile de finalistas, que foi tão fraco, que nunca mais voltei.
Quanto às praxes actuais, ouve-se de tudo.
Por vezes, custa-me ver os jovens caloiros andarem na rua , desculpe-me Patrícia, a fazer figuras tristes.
Alguns não se importam, como é óbvio, e não opino sobre isso.
Uma colega minha tem a filha na UM. Entrou no ano passado. Como a miúda não vai nessas praxes, teve de assinar um pedido de não participação, (não me recordo como se chama o documento) em como não queria ser praxada.
Não foi por isso que deixou de ter as suas amizades.
Patrícia, a minha opinião é que as praxes devem existir no sentido de integrar os alunos, sim, mas com brincadeiras "sérias" que não ofendam os jovens e a sociedade, a moral.
Viva a sua vida de estudante com muito juventude, porque é a melhor vida que se pode ter, acredite.
Já dizia a canção de Coimbra "quero, ficar sempre estudante..."

Beijinho

De Isabela a 04.10.2012 às 10:48

Eu participei sempre na praxe e nunca tive grandes problemas. Sei que às vezes pode ser um pouco humilhante, mas se levares para a brincadeira, tudo passa. Fiz óptimos amigos neste ambiente e não me arrependo de nada, pois são memórias que vou ter para o resto da minha vida. Eu gosto de ser activa na vida universitária.
Beijinhos.

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